20 maio 2007

A Autoridade

Autoridade: sem ela o homem não pode existir e, contudo, é coisa que traz consigo tanto de erro como de verdade. Perpetua no individual o que devia ser individualmente transitório, nega e desactualiza o que devia ser retido, e sobretudo constitui uma das causas da estagnação da humanidade. Em nosso entender cada um deve permanecer no caminho que encetou e não se deixar submeter, limitar ou seduzir pela autoridade, pela concordância geral ou pela moda.
Johann Wolfgang von Goethe, in "Máximas e Reflexões"
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Sempre tive minha opinião sobre a "autoridade", que em todas as suas formas ela é degradante e constitui desmantelamento da sociedade. Johann faz uma abordagem muito clara sobre as verdades da autoridade: "...trás consigo tanto de erro como de verdade." Ao mesmo tempo que o homem não vive sem a autoridade, ele também sofre com suas formas mais degradantes.

14 maio 2007

O Planeta da Inexperiência

Primeiro título pensado para A Insustentável Leveza do Ser: «O Planeta da Inexperiência». A inexperiência como uma qualidade da condição humana. Nascemos uma vez por todas, nunca poderemos recomeçar uma outra vida com as experiências da vida anterior. Saímos da infância sem sabermos o que é a juventude, casamo-nos sem sabermos o que é ser casado, e mesmo quando entramos na velhice, não sabemos para onde vamos: os velhos são crianças inocentes da sua velhice. Neste sentido, a terra do homem é o planeta da inexperiência.
Milan Kundera, in "A Arte do Romance"

Esse texto abre várias reflexões. Acho que perderia a graça se começássemos uma juventude sabendo o que era ser jovem, e assim por diante. O "mistério", em partes nos trás um grande prazer em viver nosso dia-a-dia.

10 maio 2007

Bem Invulgar

Um homem a quem é dado possuir um bem invulgar não pode considerar-se um homem vulgar. Cada um é tal qual os bens que possui. Um cofre vale pelo que tem lá dentro, melhor dizendo, o cofre é um mero acessório do conteúdo. Imaginemos um saco cheio de dinheiro: que outro valor lhe atribuimos além do valor das moedas nele contidas? O mesmo se verifica com os donos de grandes patrimónios: não passam de simples acessórios, de suplementos. A razão de o sábio ser grande está na grande alma que possui. Por conseguinte, é verdade que tudo quanto está ao alcance do mais desprezível dos homens não deve ser considerado um bem. Nunca direi, por exemplo, que a insensibilidade é um bem: quer a cigarra quer o pulgão são dotados dela! Nem sequer chamarei um bem ao repouso ou à ausência de desgostos: há bicho mais repousado do que um verme?
Séneca, in 'Cartas a Lucílio'

Grande pensamento. Séneca mostra realmente o que muitos não enxergam, que os bens materiais tem o seu valor, mas quem os possui tem um valor totalmente diferente, ou podem também não ter valor algum, como geralmente acontece. Um homem que é muito rico nem sempre é um homem de valor, um homem de caráter, pois seu valor quem irá determinar são os seus princípios e seus valores morais que só sua própria alma pode carregar. Volto a dizer, que só o conhecimento nos livra das dificuldades.

As teorias e os Grandes Pensadores




Video mostra algumas teorias dos pensadores ocidentais da Grécia a Idade Média.

08 maio 2007

A Sabedoria é a Nossa Salvação

A nossa cultura é hoje muito superficial, e os nossos conhecimentos são muito perigosos, já que a nossa riqueza em mecânica contrasta com a pobreza de propósitos. O equilíbrio de espírito que hauríamos outrora na fé ardente, já se foi: depois que a ciência destruiu as bases sobrenaturais da moralidade o mundo inteiro parece consumir-se num desordenado individualismo, reflector da caótica fragmentação do nosso carácter. Sem filosofia, sem esta visão de conjunto que unifica os propósitos e estabelece a hierarquia dos desejos, malbaratamos a nossa herança social em corrupção cínica de um lado e em loucuras revolucionárias de outro; abandonamos num momento o nosso idealismo pacífico para mergulharmos nos suicídos em massa da guerra; vemos surgir cem mil políticos e nem um só estadista; movemo-nos sobre a terra com velocidades nunca antes alcançadas mas não sabemos oara onde vamos, nem se no fim da viagem alcançaremos qualquer espécie de felicidade. Os nossos conhecimentos destroem-nos. Embebedem-nos com o poder que nos dão. A única salvação está na sabedoria.

Will Durant, in "Filosofia da Vida"

Não precisa dizer mais nada. Will já foi bastante direto sobre nossa realidade, cultura e princípios já quase não existem, nossa fé, certamente que muitos não sabem o que é. Revoluções hoje, só na base dos interesses políticos. E assim vai, nossas vidas sem nenhuma espectativa de bem-estar social. Mas certamente com conhecimento tudo fica mais fácil.

06 maio 2007

Grandes Filósofos




Esse video mostra citações de grandes filósofos. Muito interessante, pois podemos observar a tendência de pensamento de cada um dos filósofo mostrado.

03 maio 2007

A Subjectividade do Amor-Próprio

Um mendigo dos arredores de Madrid esmolava nobremente.
Disse-lhe um transeunte:
- O senhor não tem vergonha de se dedicar a mister tão infame, quando podia trabalhar?
- Senhor, - respondeu o pedinte - estou-lhe a pedir dinheiro e não conselhos. - E com toda a dignidade castelhana virou-lhe as costas.
Era um mendigo soberbo. Um nada lhe feria a vaidade. Pedia esmola por amor de si mesmo, e por amor de si mesmo não suportava reprimendas.
Viajando pela Índia, topou um missionário com um faquir carregado de cadeias, nu como um macaco, deitado sobre o ventre e deixando-se chicotear em resgate dos pecados de seus patrícios hindus, que lhe davam algumas moedas do país.
- Que renúncia de si próprio! - dizia um dos espectadores.
- Renúncia de mim próprio? - retorquiu o faquir.
- Ficai sabendo que não me deixo açoitar neste mundo senão para vos retribuir no outro. Quando fordes cavalo e eu cavaleiro.
Tiveram pois plena razão os que disseram ser o amor de nós mesmos a base de todos as nossas acções - na Índia, na Espanha como em toda a terra habitável.
Supérfluo é provar aos homens que têm rosto. Supérfluo também seria demonstrar-lhes possuírem amor próprio. O amor-próprio é o instrumento da nossa conservação. Assemelha-se ao instrumento da perpetuação da espécie. Necessitamo-lo. É-nos caro. Deleita-nos - E cumpre ocultá-lo.
Voltaire, in 'Dicionário Filosófico'

Como Voltaire, acredito que todos nós temos um amor-Próprio. Por mais oculto que seja, mas ele existe dentro de nós e todos nós sabemos disso. Isso nos serve para alcançar uma suposta perfeição ao olhos do todo poderoso. Mas o certo mesmo é que todos nós usamos esse amor-próprio como ato de conservação para chegarmos, como disse o "faquir": "Quando fordes cavalo e eu cavaleiro."