Um homem a quem é dado possuir um bem invulgar não pode considerar-se um homem vulgar. Cada um é tal qual os bens que possui. Um cofre vale pelo que tem lá dentro, melhor dizendo, o cofre é um mero acessório do conteúdo. Imaginemos um saco cheio de dinheiro: que outro valor lhe atribuimos além do valor das moedas nele contidas? O mesmo se verifica com os donos de grandes patrimónios: não passam de simples acessórios, de suplementos. A razão de o sábio ser grande está na grande alma que possui. Por conseguinte, é verdade que tudo quanto está ao alcance do mais desprezível dos homens não deve ser considerado um bem. Nunca direi, por exemplo, que a insensibilidade é um bem: quer a cigarra quer o pulgão são dotados dela! Nem sequer chamarei um bem ao repouso ou à ausência de desgostos: há bicho mais repousado do que um verme?
Séneca, in 'Cartas a Lucílio'
Grande pensamento. Séneca mostra realmente o que muitos não enxergam, que os bens materiais tem o seu valor, mas quem os possui tem um valor totalmente diferente, ou podem também não ter valor algum, como geralmente acontece. Um homem que é muito rico nem sempre é um homem de valor, um homem de caráter, pois seu valor quem irá determinar são os seus princípios e seus valores morais que só sua própria alma pode carregar. Volto a dizer, que só o conhecimento nos livra das dificuldades.
Um comentário:
"Procure ser um homem de valor, em vez de ser um homem de sucesso" Me identifiquei com essa frase... Muitas pessoas conseguem o sucesso passando por cima do seu valor... Saber lidar com o sucesso, sem perder o seu valor, e extremamente complicado para alguns?!? Boa reflexão!!! Adorei seu blog!
Beijo
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